quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Hérnias

Primeiramente... alguns conceitos! Mas esse é um assunto, que para melhor entendimento, é preciso uma lida em conceitos de anatomia da parede abdominal, canal inguinal, ligamento, etc. (bibliografia Moore)
De qualquer forma vamos começar aqui por alguns mais básicos!

* Camadas, partindo da pele até o canal inguinal!
Pele > tecido subcutâneo > aponeurose do músculo oblíquo externo > canal inguinal e seu conteúdo!

* Canal inguinal é uma passagem entre a musculatura da parede abdominal, onde as estruturas passam através do canal inguinal interno (ou superior) e anel inguinal externo (ou inferior).
Conteúdo principal no homens é o funículo espermático e nas mulheres o ligamento redondo do útero. Também contém vasos sanguíneos e linfáticos e o nervo ileoinguinal em ambos os sexos.

* Ligamento inguinal segue da EIAS (espinha ilíaca antero-superior) em direção ao tubérculo púbico.

* Triângulo de Hesselbach corresponde à região de maior fraqueza da fascia transversalis (se localiza pronfundamente ao músculo transverso do abdome), e por isso é vulnerável à formação de hérnias.
Limites: lateral - vasos epigástricos inferiores
            inferior - ligamento inguinal
            medial - borda do reto abdominal

Hérnias Inguinais
Estas são divididas de acordo com seu mecanismo de formação, em indiretas (são mais comuns) ou diretas. E são hérnias mais frequentes em homens e à direita.
As indiretas são secundárias a alterações congênitas decorrentes do não fechamento do conduto peritoniovaginal (trajeto feito pelos testículos da cavidade abdominal em direção à bolsa escrotal nos recém-natos). Quando este conduto é obliterado totalmente, recebe o nome de ligamento de Cloquet. E quando não obliterado após o nascimento ou quando o fechamento é parcial, permanece uma comunicação entre a cavidade abdominal e o canal inguinal, permitindo o aparecimento de hérnia inguinal indireta e de outras condições como hidrocele do cordão.
As hérnia diretas são adquiridas. Ocorrem devido um enfraquecimento da musculatura da parede posterior do canal inguinal (músculo transverso do abdome), mais precisamente no triângulo de Hesselbach.
Alguns fatores bioquímicos e celulares estão envolvidos, como alterações na síntese de colágeno, proliferação  de fibroblastos, e fatores ambientais como tabagismo, idade e desnutrição.

Obs: Saco herniário lateral aos vasos epigástricos - hérnia indireta
                               medial aos vasos epigástricos - hérnia direta

Quadro clínico
Uma sensação de peso ou dor mal definida na região inguinal associada aos esforços. A dor pode estar acompanhada de abaulamento ou não, e este pode retornar espontaneamente ou através da manobra manual, ou não retornar.

Classificação
1- Hérnia redutível é aquela que é reduzida, ou seja, que retorna à cavidade abdominal.
2- Hérnia encarcerada é aquela que não é possível redução manual do saco herniário, portanto é irredutível.
3- Hérnia estrangulada é quando o encarceramento leva ao comprometimento vascular (dor intensa e sinais flogísticos).
A hérnia encarcerada e a hérnia estrangulada podem levar à obstrução intestinal quando uma víscera do intestino delgado faz parte do conteúdo do saco herniário.

Exame físico
Inicialmente em posição ortostática, observando a região em repouco e com manobra de Valsava ("exalar forçadamente o ar contra o dorso da mão" - aumenta a pressão intra-abdominal).
Depois são feitas manobras para diferenciar as hérnias (isso na prática não tem tanta importância, pois não há necessidade de diferenciar antes do tratamento cirúrgico, que é indicado em todos os casos), como a manobra de Landivar.

Tratamento
A indicação é sempre cirúrgica uma vez que a tendência de todas as hérnias é crescer, aumentando a probabilidade de complicações e dificulta a técnica cirúrgica.
Excluída a presença de estrangulamento ou de obstrução intestinal pode-se tentar reduzir a hérnia com Manobra de Taxe (que deve ser feita sob analgesia e sedação). Caso a hérnia seja irredutível o tratamento cirúrgico está indicado. E mesmo as hérnias redutíveis, apresentam indicação de cirurgia eletiva.

Hérnias Femorais
Estas hérnias não são frequentes, e ocorrem geralmente em mulheres obesas com > 45 anos.
São protusões através do canal femoral, que é uma estrutura inelástica, e por isso é responsável por maior risco de estrangulamento.
Sintomas - sensação de peso e dor mal definida
Exame físico - observação do abaulamento inferior ao ligamento inguinal
Tratamento - cirúrgico

Hérnias Umbilicais
As umbilicais ocorrem devido a persistência do anel umbilical sem o fechamento de sua camada aponeurótica após o nascimento. Caracteriza-se por uma protusão anormal do peritônio contendo tecido gorduroso pré-peritoneal e omento. Nesse tipo é raro encontrar alças intestinais no saco herniário.
Pode ocorrer na infância ou na vida adulta.
Infância - ocorre devido defeito congênito, onde existe a tendência ao fechamento espontâneo até os 4-6 anos de idade. As complicações não são frequentes. E caso a hérnia persista ou apresente características de não fechamento do anel umbilical (>2cm) a indicação é cirúrgica.
Adulto - geralmente é secundária a um defeito adquirido, como gravidez, ascite, traumatismo. A indicação de reparo cirúrgico inclui sintomas, grande anel herniário, ascite em cirróticos e encarceramento.

Hérnias Epigástricas
São definidas como a protusão de gordural pré-peritoneal ou do próprio peritônio, através do defeito da linha alba, no espaço entre o apêndice xifóide e cicatriz umbilical.
Geralmente são assintomáticos, mas quando presentes envolvem dor surda, mal definida, desproporcional ao tamanho da hérnia.
Tratamento - fechamento simples do defeito da linha alba.

Hérnias Incisionais
Estas são protusões do conteúdo abdominal através de orifícios da parede abdominal localizados em áreas de incisões cirúrgicas prévias. Apresenta relação com infecções de ferida cirúrgica e obesidade, e também com idade avançada, anemia, ascite, quimioterapia e diabetes.
Tratamento - cirúrgico

Hérnia de Spigel
Apresentam localização entre a borda lateral do músculo reto abdominal e a linha semilunar, sendo também infra-umbilical.
A clínica é mal definida e apresenta dificuldade diagnóstica, por isso são usados exames complementares como USG e TC.
Tratamento - cirúrgico

Hérnias Lombares
Definidas como protusões de gordura pré-peritoneal e do retroperitôneo ou de víscera abdominal.
Estas hérnias ocorrem em duas aberturas:

  1. Trígono lombar superior (de Grynfelt) - localizado abaixo da 12 costela
  2. Trígono lombar inferior (de Petit) - localizado acima da crista ilíaca
E podem ser:
  • Congênitas - bilaterais e mais comum em meninas
  • Adquiridas - unilaterais e mais comum em idosos
Tratamento - sutura simples do defeito aponeurótico ou reparos mais complexos dependendo dos defeitos.

Hérnia de Richter
Ocorre quando há pinçamento lateral apenas da borda antimesentérica da víscera abdominal, permitindo o estrangulamento desse segmento de alça, sem sinais de obstrução.

Hérnia de Littré
Caracterizada pelo divertículo de Meckel no saco herniário, que pode apresentar estrangulamento e necrose sem sinais de obstrução. É uma hérnia de difícil diagnóstico.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Colédocolitíase

Pode ser:
Primária - quando a formação do cálculo é no próprio colédoco.
Secundária - quando o cálculo foi formado na vesícula mas pasou através do cístico e obstruiu o colédoco.

Quadro clínico
* Durante as obstruções passageiras a queixa pode ser de dor do tipo biliar (= da colelitíase sintomática), que pode ser acompanhada de icterícia (flutuante - que é quando a icterícia não é persistente; ela "aparece e some") leve a moderada, além de colúria e acolia fecal.
Obs: Icterícia persistente sugere neoplasia!

As complicações podem ser colangite bacteriana aguda, abcesso hepático piogênico, pancreatite aguda biliar, cirrose biliar secundária...

Diagnóstico
1- Laboratorial
- Bilirrubina total aumentada com predomínio da bilirrubina direta
- Fosfatase alcalina aumentada
- Transaminases (TGO/TGP) levemente tocadas

2- Imagem
- USG transabdominal (permite observação de colelitíase, dilatação leve/moderada do colédoco e cálculos nas vias biliares)
- USG endoscópica
- CPRE
- Colangiografia transoperatória
- Colangioressonância

Tratamento >>  Retirada de todos os cálculos!!

  • Diagnóstico antes de colecistectomia > CPRE, seguida de colecistectomia eletiva
  • Se a presença de cálculos for descoberta durante o ato cirúrgico(colecistectomia) > os cálculos devem ser extraídos por exploração do colédoco ou por papilotomia (CPRE) eletiva no pós-cirúrgico

Colecistite Aguda

A colecistite aguda já é o desenvolvimento de um processo inflamatório da vesícula biliar que resulta nas maioria dos casos, da obstrução persistente do ducto cístico por um cálculo, determinando obstrução mantida (95%).
Obs: atenção para a diferença entre a causa da dor na colelitíase, que é momentânea e recorrente, e ocorre devido episódios de impactação, que geram contração vesicular. E a dor gerada na colecistite que ocorre por impactação persistente do cálculo, determinando obstrução. O processo inflamatório é gerado devido estase biliar que resulta em dano à mucosa vesicular.

Como ocorre?
Com a impactação do cálculo, obstruindo o ducto cístico > há o aumento da pressão intraluminal > dintensão da vesícula > obstrução venosa e linfática  > edema > isquemia > ulceração da parede da VB > e infecção bacteriana secundária.
A infecção acaba sendo responsável pelas sequelas mais sérias da colecistite, como empiema, perfuração, abcesso pericolestático, fístula enterobiliar...

Quadro clínico
Paciente típico é uma mulher de meia idade, portadora de cálculos biliares e que já havia experimentado cólicas biliares.
* Dor abdominal que aumenta de intensidade e se localiza debaixo do gradil costal direito, podendo apresentar irradiação dorsal, para as escápulas. A dor persiste por mais de seis (6) horas (diferente da cólica biliar - colelitíase), e anorexia, náuseas, vômitos e febre baixa podem estar associados.

Exame físico - região subcostal direita hipersensível à palpação. (Sinal de Murphy positivo em alguns casos - compressão do bordo costal direito e pede para o paciente respirar; o sinal é positivo quando o paciente interromper a inspiração devido à dor).

Exames complementares
- Aumento discreto de Bilirrubina
- Aumento discreto de fosfatase alcalina e TGO
- Aumento da amilase
- Leucocitose (12-15000)

- Imagem - Rx, USG, Cintilografia das vias biliares (padrão ouro) e TC

Diagnóstico diferencial: Apendicite Aguda, Pancreatite e Úlcera péptica perfurada são os mais importantes.

Tratamento

  • Inicial
  • Internação hospitalar
  • Hidratação Venosa
  • Analgesia
  • Dieta zero
  • Antibioticoterapia parenteral (Ampicilina e Aminoglicosídeo - 7/10 dias)
  • Definitivo
  • É a cirurgia - Colecistectomia
    - deve ser feita precocemente por videolaparoscopia ou laparoscopia (podendo ocorrer conversão de houver necessidade)
    - Pacientes com 3-4 dias de evolução, normalmente têm inúmeras aderências, por isso há a indicação de antibiotico-terapia e a cirurgia deve ser realizada após 6-10 semanas.
    - Complicações: perfurações e fístulas, íleo biliar, síndrome álgica pós colecistectomia.

Colelitíase

Os cálculos são classificados de acordo com a sua origem em:

  • Colesterol - são acastanhados
  • Bilirrubinato de cálcio - são negros
  • Misto - são claros
Fatores de risco
  • Pré-disposição genética
  • Dismotilidade vesicular (estase)
  • Fatores ambientais/Dieta (pobre em fribras)
  • Estrogênio e Progesterona (estrogênio estimula a síntese de colesterol e a progesterona reduz a contratilidade da vesícula)
  • Idade avançada
  • Obesidade
  • Ressecção ileal e Dç de Crohn
  • Anemia hemolítica
  • Cirrose
  • Infecções
Conceito de lama biliar > é uma massa fluida que se depostita nas porções de maior declive da VB. Representa mistura de mucina, bilirrubinato de cálcio e cristais de colesterol, e é considerada um precursor da litíase.

Quadro clínico
*Dor aguda contínua (cólica biliar) localizada em hipocôndrio direito e/ou epigastro, podendo apresentar irradiação para escápula, e que geralmente ocorre após as refeições. Pode apresentar náuseas e vômitos associados, e os episódios se repetem em intervalos de dias ou semanas.- O motivo da dor é a obstrução intermitente da luz da vesícula por um cálculo. 
* O paciente pode apresentar apenas dispepsia após ingesta gordurosa, ou um "mal estar"

Exame físico
Este não é muito sugestivo para o diagnóstico, mas geralmente ocorre dor à palpação em hipocôndrio direitoou epigástrico. 

Diagnóstico
1- USG / USG endoscópica
2- Rx
3- SEED
4- TC
5- Colangioressonância
6- CPRE

As complicações da colelitíase são colecistite aguda, coledocolitíase, Pancreatite aguda, Colangite aguda, Vesícula em porcelana.

Tratamento 
  • AINES / Meperidina para analgesia da cólica biliar
  • Anticolinérgicos e antiespasmódicos também são usados para alívio imediato
  • Tratamento Definitivo: CIRÚRGICO - Colecistectomia
    - Após o controle do episódio agudo o paciente deve ser preparado para o procedimento cirúrgico de forma eletiva.
    - A cirurgia pode ser feita por laparotomia ou videolaparoscopia (sendo a última mais indicada).
    1 - Laparotomia > Cirurgia tipo Kocher (encisão subcostal direita) ou paramediana direita.
         Contra indicação: coagulopatia não controlada

    2 - Videolaparoscopia > apresenta vantagens pelo menor tempo de internação necessário e recuperação mais rápida. Nesta há insuflação de CO2 para distensão da cavidade abdominal.
         Contra indicações relativas: reserva cardiopulmonar ruim, CA de vesícula biliar suspeito ou confirmado, cirrose com hipertensão portal (ascite), gravidez no terceiro mês de gestação, procedimentos combinados. Nesses casos a cirurgia aberta é preferida.

    Complicação cirúrgica mais comum é a lesão das vias biliares extra hepáticas.

Câncer de Pâncreas

É a quarta (4) causa de mortalidade envolvendo câncer.
Maior incidência em pacientes maiores de 40-50 anos. E é mais comum em negros.

Fatores de risco
  • Negros
  • Tabagismo é um do principais fatores de risco, sendo diretamente proporcional à carga tabágica
  • Diabetes Melitus (geralmente consequência do câncer)
  • Obesidade (maior ingestão de calorias)/Sedentarismo
  • Alimentação rica em gorduras/carnes/café
  • História Familiar positiva
  • Pancreatite crônica / Pancreatite crônica hereditária
Cerca de 95% das neoplasias de pâncreas se originam no epitélio ductal, na porção exócrina do pâncreas.
O tumor pode envolver a cabeça do pâncreas, o corpo ou a cauda. Sendo a localização mais comum a cabeça (70%).

Manifestações clínicas
As mais comuns: (1) Perda ponderal; (2) dor abdominal e (3) icterícia colestática.
(2) A dor abdominal costuma ser epigástrica, constante, irradiada para o dorso, e geralmente pós-prandial. A dor ocorre por invasão tumoral do plexo celíaco e mesentérico.
(3) Esta sintomatologia é típica dos tumores de cabeça de pâncreas, envolvendo a Síndrome Colestática = icterícia + colúria + acolia fecal.

Exame físico
  • Sinal de Courvoisier Terrier - vesícula biliar palpável  indolor. Este sinal traduz tumor periampular, com obstrução crônica da via biliar, proporcionando crescimento lendo da vesícula. (esse crescimento lento justifica o porque vesícula é indolor)
  • Pode apresentar sinais de desnutrição, massa abdominal e/ou ascite, hepatomegalia, nódulo periumbilical (Sister Mary Joseph), linfonodo de Virchow (supraclavicular esquerdo). Estes são sinais de doença mais avançada. 
Diagnóstico
1- USG endoscópica - mostra extensão e nível de obstrução do tumor. Visualiza também vesícula biliar e pâncreas.
2- TC - define massa e metástase. E com contraste IV avalia vasos mesentéricos, veia porta e metástases.
3- CPRE (Colangiopancreatografia endoscópica retrógrada)  - Achados característicos são estenose ou obstrução do ducto pancreático ou colédoco. Não é usada de rotina.
4- Marcadores tumorais - CA 19,9 e CEA

Estadiamento
T1- restrito ao pâncreas < 2 cm
T2- restrito ao pâncreas > 2cm
T3- envolvimento de órgãos ou estruturas adjacentes ressecáveis
T4 - envolvimento de órgãos ou estruturas adjcentes irresecáveis

N0- sem acometimento linfonodal
N1- com acometimento dos linfonodos regionais

M0- sem metástases
M1- com metástases

Tratamento
O único tratamento curativo é a ressecção do tumor.
*Para os tumores de cabeça de pâncreas e periampulares: Pancreatoduodenectomia (Cirurgia de Whipple). Essa ressecção envolve vesícula biliar, colédoco, 15cm do jejuno, duodeno, estômago distal e piloro, e a cabeça do pâncreas até o nível da veia mesentérica superior. A reconstrução do TGI é feita com uma porção proximal de alça do jejuno trazida através do mesocólon transverso que receberá as anastomoses:
1- Hepaticojejunostomia
2- Pancreáticojejunostomia
3- Gastrojejunostomia

*Para os tumores de corpo e/ou caula de pâncreas a taxa de ressecabilidade é muito baixa - Pancreatectomia distal

*Tratamento neo-adjuvante (antes da cirurgia) - quimioterapia e radioterapia podem proporcionar melhores ressecções dos tumores.

*Tratamento Paliativo - tem como objetivo controlar os sintomas causados por tumores irressecáveis ou recidivantes, para uma melhor qualidade de vida.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Câncer de Fígado

É a terceira causa de morte por câncer no mundo.
Mais freqüente nos homens, e entre 50-60 anos.
Comum na Ásia pelos altos índices de infecção pelo vírus Hepatite B
Câncer primário mais freqüente: carcinoma hepatocelular.

Principal fator de risco: cirrose hepática e suas causas
·          Hepatite crônica pelo vírus B e C. A hepatite B pode levar ao hepatocarcinoma sem cirrose, e 20% dos pacientes com cirrose por vírus C desenvolvem a neoplasia.
·          Cirrose alcoólica
·          Hemocromatose Hereditária
·          Deficiência de alfa1-antitripsina
·          Hepatite autoimune
·          Cirrose biliar primária
·          Diabetes Mellitus e obesidade
·          Alfatoxina B1 produzida por fungo

Única prevenção: vascinação em larga escala para hepatite B.
Os tumores hepáticos que geralmente não se apresentam de forma única, na maioria dos casos invadem a veia porta e o acometimento bilobar. Por isso apresentam alto risco de sangramentos.

Manifestações clínicas
O sintoma mais comum é a dor abdominal e o sinal clínico é a hepatomegalia.
O paciente pode apresentar-se assintomático; com elevação das transaminases, perda ponderal, mal-estar e fraqueza, sintomas associados à cirrose, icterícia, diarréia, entre outros.

Diagnóstico
*Marcadores tumorais – alfafetoproteína (AFP) > 200ng/ml apresenta alta especificidade.
                                                   desgama-carboxi protrombina (DCP – proteína induzida pela ausência de vitamina K) que está aumentada em grande parte dos casos.

*USG – visualiza o tumor que é altamente vascularizado e possível presença de trombose de veia porta.

*TC – Uma importante característica dos tumores é a fonte de fluxo sanguíneo, que normalmente está associado à veia porta. Mas as células malignas também possuem fatores angiogênicos, ou seja, se vascularizam bastante e recebem suprimento sanguíneo principalmente da artéria hepática.
Essa vascularização é percebida através da TC, com um contraste que aparece na fase arterial e some na fase portal (fenômeno de washout)

*Biópsia hepática – pode ser necessária em alguns casos.
*Avaliação do líquido ascítico – pode ser utilizado em pacientes com doença mais avançada.

Em geral: marcadores tumorais + exame de imagem (USG/TC)

Pacientes portadores de cirrose hepática, infectados pelo vírus B e com história familiar de CHC apresentam indicação de rastreamento a cada 6meses, através de dosagem de alfafetoproteína e USG.

Critérios de Barcelona para diagnóstico de CHC em fígado cirrótico
- Tumores entre 1-2cm – é necessária biópsia guiada, pois o diagnóstico por exames de imagem não é seguro e a dosagem aAFP está negativa.
- Tumores >2cm – é necessária imagem característica (hipervascularização arterial – fenômeno de washout) por duas técnicas radiológicas diferentes (USG, TC, RNM, arteriografia) ou achado radiológico em paciente com AFP>400ng/ml.

Estadiamento
O hepatocarcinoma não utiliza muito a classificação TNM, pois esta não leva em consideração a função hepática e não tem correalção prognostica. São mais usadas a Classificação de Okuda e o Escore CLIP (Programa Italiano de Câncer Hepático).

* Classificação de Okuda
    1 Presença de ascite
    2 Tumor acupando área> 50% do fígado
    3 Albumina < 3g/L
    4 Bilirrubina > 3mg/dl

Estágio I – ausência desses fatores
Estágio II – presença de 1 ou 2 fatores
Estágio III – presença de 3 ou 4 fatores


*Escore CLIP
Este escore é avaliado através de uma pontuação de 0 a 6. Sendo que 0 a 3 determinam maior sobrevida e de 4 a 6 doença avançada e maior mortalidade.
Dados
O ponto
1 ponto
2 pontos
Número e
tamanho
Único e <50%
do fígado
Múltiplo e <50%
do fígado
>50% do
fígado
Escore de
Child-Pugh
          A
            B
     C
Alfafetoproteína
    <400
      >400
_____
Trombose de
veia porta (TC)
     Não
      Sim
_____











Tratamento
A melhor terapêutica é a ressecção completa do tumor, mas alguns pacientes com CHC apresenta em alguns casos a cirrose hepática associada, o que limita o tratamento cirúrgico.
Mas vamos seguir um pensamento!!

Passo 1 > a doença está localizada? Ou seja, como nas outras neoplasias... ter o conhecimento sobre invasão vascular, acometimento de linfonodos ou metástases. Se está localizada, vamos ao passo 2!

Passo 2 > O paciente pode ser submetido à cirurgia (hepatectomia parcial)?
Como a grande maioria dos pacientes geralmente é cirrótico, devemos avaliar o risco do paciente desenvolver uma insuficiência hepática fulminante pós-hepatectomia.
Indicação cirúrgica: Pacientes ChildA e não ter hipertensão portal.
                                         Ser lesão única (múltiplas lesões envolvem grandes ressecções)
- A hepatectomia pode ser realizada por via aberta ou laparoscópica.
- Embolização pré-operatória da veia porta demonstra melhores resultados – assim é possível uma atrofia do lobo associado ao tumor e um aumento compensatório do outro lobo, fazendo com a ressecção seja mais segura.

Passo 3 > O paciente pode ser submetido ao transplante hepático?
É o tratamento mais completo porque elimina o tumor e a doença de base.
Os critérios de Milão - usado para saber o risco de recidiva do tumor após o transplante – incluem presença de lesão única < 5cm ou até 3 lesões < 3cm. Esses pacientes podem receber o transplante.
Obs: pacientes cirróticos que não podem ser submetidos à hepatectomia podem recorrer ao transplante.

Passo 4 > Há possibilidade de terapia local (ablação)?
Está indicada com: lesão única <5cm e Child A/B
Técnicas:
1.        Injeção percutânea de etanol (PEI): leva à morte celular por desidratação, necrose de coagulação e trombose vascular.
2.        Ablação térmica: destruição do tumor pelo frio(crioterapia) ou calor (radiofrquência) realizada por técnica cirúrgica ou percutânea. A radiofreqüência é a mais eficaz em tumores <5cm, mas pode ser usada naqueles até 7 cm e possui baixa taxa de complicações.

Passo 5 > Há possibilidade de terapia regional?
Usada em casos em que a doença é multifocal e ao mesmo tempo não é disseminada (invasão de vasos e metástases). Indicação: lesões >5cm multifocais com função hepática preservada.
É feita através de infusão pela artéria hepática de substâncias embolizantes, quimioterapêuticas e/ou radioativas.

E para finalizar... em casos de doença muito avançada (invasão vascular grosseira, acometimento de linfonodos e metástases) não há tratamento eficaz, pois a quimioterapia apresenta papel muito limitado ao hepatocarcinoma.

Prognóstico
- Doença localizada + Transplante hepático = ótimo prognóstico (70-80%) com recorrência <10%
- Doença localizada + Ressecção/tto local = bom prognóstico (50 – 70%) com recorrência de 50% (fígado cirrótico permanece no organismo)
- Doença regional + quimioembolização = prognóstico intermediário (25-60%)
- Doença avançada = prognóstico ruim (sobrevida em média 6-8 meses)

Carcinoma Fibrolamelar
É uma variante do CHC!
1- nenhum dos fatores de risco para o hepatocarcinoma serve para essa neoplasia
2- é uma doença de pacientes jovens (25anos) e com maior freqüência no sexo feminino
3- AFP está negativa geralmente e a função hepática é normal.Nivéis séricos elevados de neurotensina.
4- São geralmente multifocais, não costumam apresentar invasão portal e a metástase para fígado e pulmão é comum.
5- Tto de escolha é a ressecção cirúrgica, inclusive das metástases.
6- A recorrência é comum e ocorre em 80% dos casos.



Doença Diverticular

Conceitos:
Divertículos - são projeções saculares na parede do cólon.
Diverticulose - é um estado e não uma doença que se define apenas pela presença de divertículos.
Doença Diverticular - é a manifestação sintomática dos divertículos (inflamação ou sangramento).

Os divertículos podem ser:
  • Verdadeiros/congênitos - são os divertículos que envolvem todas as camadas da parede intestinal (mucosa, submucosa, muscular e serosa) Ex: divertículo de Meckel
  • Falsos/adquiridos - são os divertículos formados por herniação da mucosa através da fraqueza da camada muscular. São os divertículos mais comuns, e a incidência destes aumenta com a idade.
A formação dos divertículos está relacionada também a baixa ingesta de fibras (Burkitt). Quanto maior a ingesta de fibras, maior o bolo fecal, uma vez que não são digeridas. De acordo com a lei de Laplace (...) a pressão intra-luminal é inversamente proporcional ao raio, sendo assim, quanto menor o bolo fecal, menor o raio e consequentemente maior deve ser a pressão intra-colônica para o deslocamento das fezes (segmentações do cólon). Esse aumento da pressão intra-colônica pré-dispõe a formação de divertículos.

A formação dos divertículos pode ser de forma:
  • Hipertônica (70% dos casos): acomete principalmente o sigmóide. Essa forma ocorre por aumento da pressão intra-luminal, que acaba provocando hipertrofia da parede muscular, encurtamento de alça e estreitamento da luz (hipertofia concêntrica). A principal complicação é a inflamação - Diverticulite.
  • Hipotônica: esta forma envolve todo o cólon. Não depende do aumento da pressão intra-luminal, não há espessamento da parede.Ocorre nos pontos frágeis que são os orifícios vasculares. E a principal complicação é a Hemorragia.
Diverticulose
Como a diverticulose é apenas um estado onde há a presença de divertículos na parede intestinal, e não apresenta sintomas; não possui um tratamento específico. Possui apenas uma orientação com o objetivo de prevenir a evolução para Doença Diverticular.
Orientações: Aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras
                    Aumentar a ingesta hídrica
                    Complementação dietética - farelo de trigo
                    Uso de anti-espasmódicos (para diminuir a pressão intra-luminal)

Doença Diverticular
A doença diverticular se define com a presença de divertículos e sintomas que podem ser decorrentes principalmente de INFLAMAÇÃO (Diverticulite) e HEMORRAGIA.

INFLAMAÇÃO
*Diverticulite Não Complicada (10-20%)
-É a inflamação do divertículo sem complicações como abcessos/perfurações, fístulas ou obstrução intestinal.
-Está mais relacionada a forma hipertônica e ao acometimento do sigmóide. 
-Os divertículos sofrem pequenas perfurações que provocam extravasamento de líquido, fezes e bactérias que ficam ao redor das próprias saculações. Assim há uma Inflamação Localizada!
-A clínica se define com dor na fossa ilíaca esquerda (FIE), alteração do hábito intestinal, disúria pela proximidade do sigmóide com a bexiga, abdome distendido.
-No exame físico há dor à palpação na FIE, sinais de peritonite localizada (Blumberg)
-Diagnóstico através de homograma apresentando leucocitose + TC (que permite o diagnóstico e a avaliação das complicações)
-Tratamento
  • Para fase aguda: jejum e dieta líquida sem resíduos 24/48hrs depois, para evitar aumento da pressão intra-luminal + antibióticos (cefalosporinas e anaerobicidas) + antiespasmódicos (para reduzir a pressão) e analgésicos
  • Pós fase aguda: deve-se aumentar a ingesta de fibras
  • Eletivo é o tratamento cirúrgico que deve ser feito de 6-8 semanas após o quadro agudo nos casos em que há indicação.
    Indicações de cirurgia: Ataques recorrentes (2/3 vezes)
                                       Primeiro episódio em imunodeprimidos
                                       Persistência de massa palpável
                                       Estenose
                                       Suspeita de carcinoma
                                       Fístulas
                                       Primeiro episódio em <40/50 anos (após tto conservador) 
*Diverticulite Aguda Complicada (25%)
É a inflamação de um divertículo associado a complicações como: perfuração/abcesso, fístulas e obstrução.
  1. Abcesso/Perfuração
    Classificação de Hinchey: Estágio I - abcesso pericólico
                                            Estágio II - abcesso pélvico, intra-abdominal ou retorperitoneal
                                            Estágio III - peritonite purulenta generalizada
                                            Estágio IV - peritonite fecal
    Obs: o abcesso se rompe e causa peritonite difusa.
    - Os estágios I e II devem ser drenados, e os estágios III e IV o tratamento é cirúrgico.
    -Tratamento:
    *Abcessos pericólicos < 2cm, 90% respondem ao tratamento conservador com antibióticos
    *Abcessos > 2cm a drenagem percutânea é indicada
    *Em casos de impossibilidade de drenagem o tratamento é cirúrgico - laparotomia para drenar.

    A perfuração é mais incomum. Mas quando ocorre causa peritonite difusa/pneumoperitônio. E o tratamento é cirúrgico (colectomia).
  2. Fístulas (2%)
    -São mais frequentes em homens, em pacientes com cirurgia abdominal prévia e em imunocompremetidos.
    -São mais comuns em fases tardias e não nas fases agudas.
    -Tipos: Colovesical (é a mais comum fístula em geral, e relacionada aos homens), e colovaginal (é a mais frequente nas mulheres)
    -Clínica: dor à micção (disúria), pneumatúria, fecalúria.
    -Diagnóstico: TC
    -Tratamento: Sigmoidectomia
                         Drenagem vesical por 7 a 10 dias
    Obs: se for em fase aguda, primeiro se deve tratar o quadro agudo.
  3. Obstrução intestinal
    Existem duas formas: Obstrução inflamatória no íleo (a mais comum)
                                     Por hipertrofia/fibrose
    Diagnóstico diferencial com neoplasia
    Tratamento: Cateterismo vesical (5-7dias) e dieta zero - forma inflamatória
                       Sigmoidectomia - fibrose
HEMORRAGIA (15%)
-Ocorre na forma hipotônica e acomete principalmente o cólon direito
-Deve ser excluída como causa da Hemorragia Baixa as doenças anorretais, CA de cólon (geralmente sangramento oculto), e angiodisplasia. Além de causas de hemorragia digestiva alta.
-Na clínica há hematoquesia (eliminação de sangue vivo pelas fezes/reto), coágulos, e sem presença de dor.
-Diagnóstico: antes de tudo > estabilizar o paciente!
  • Com regressão do sangramento realiza-se colonoscopia, que permite conduta diagnóstica e terapêutica - adrenalina e eletrocoagulação.
  • Sem regressão do sangramento realiza-se angiografia ou cintilografia.
    Angiografia requer fluxo sanguíneo de 0,5 a 1 ml/min e apresenta conduta terapêutica - vasopressina e embolização
    Cintilografia requer fluxo sanguíneo de 0,1ml/min e não apresenta terapêutica
-Tratamento: Clínico-endoscópico (colonoscopia ou arteriografia)
                     Sangramento não localizado, instabilidade hemodinâmica são indicações de cirurgia:
                            *Colectomia segmentar
                            *Colectomia total