terça-feira, 13 de setembro de 2011

Câncer de endométrio

É o câncer mais comum do corpo uterino, correspondendo a 90-96% dos tumores.
São fatores de risco:

  • Idade > 60 anos
  • História Familiar
  • Menarca precoce
  • Menopausa tardia
  • Nuliparidade
  • Raça branca
  • TRH mal conduzida (sem progesterona)
  • Ciclos anovulatórios (SOP)
  • Obesidade/Diabetes/HAS
> Está envolvido diretamente com HIPERESTROGENISMO!!!

São fatores protetores: ACO, multiparidade, TRH combinada, perda de peso, DIU de progesterona e tabagismo.

Quadro clínico 
- Qualquer episódio de sangramento vaginal pós-menopausa (mesmo com TRH), requer investigação. E na perimenopausa associada com outros fatores de risco também merece investigação.
- O corrimento vaginal também pode ser uma manifestação.
OBS: a causa mais comum de sangramento anormal na pós-menopausa é a atrofia do endométrio (60-80% dos casos).

Diagnóstico diferencial: estrogênio exógeno, atrofia endometrial, pólipos endometriais ou cervicais, hiperplasia endometrial, CA de colo/ovário.

O rastreamento não é preconizado em mulheres assintomáticas, visto que a sintomatologia geralmente é precoce, permitindo o diagnóstico em fases iniciais.
- Há indicação para pacientes com pré-disposição a CA colorretal.
- Melhor método para rastrear é USG- transvaginal
  •    Mulheres na pós-menopausa não usuárias de TRH
    - Com sangramento vaginal e espessura < 4-5mm apresenta baixo risco (conduta expectante)
    - Com sangramento vaginal e espessura > 4-5mm deve ser avaliada por biópsia
  • São achados sugestivos de CA de endométrio:
    - Coleções líquidas intrauterinas
    - Espessamento endometrial
    - Massa endometrial polipóide
    - Endométrio hiperecogênico
Diagnóstico definitivo é a avaliação histopatológica através da HISTEROSCOPIA com biópsia associada, curetagem fracionada ou biópsia por aspiração.

Tipos histológicos
Tipo I - é dependente de estrogênio; tumor endometrioide de baixo grau (mais diferenciado) e associado a hiperplasia endometrial atípica.
Tipo II - não está relacionado a estímulo estrogênico e tende a se apresentar como tumores de alto grau (indiferenciados). Tumor de células claras ou seroso-papilíferos.
> Hiperplasia pode ser 
  1. Simples ou Complexo - de acordo com a arquitetura glandular; e
  2. Com ou sem atipias (lesões atípicas são precursoras do CA.
Tratamento das hiperplasias simples ou complexas...
- Sem atipias
O objetivo é controlar o sangramento e evitar a progressão para CA
Conduta : Progestágenos - neste caso é a melhor opção
                Histerectomia - em casos de persistência ou pós menopausa
                Seguimento com biópsias
- Com atipias
Conduta: Histerectomia - neste caso é a preferida
              Progestágenos - se ainda há desejo de gestação ou paciente sem condições cirúrgicas

CA de endométrio é CIRÚRGICO em todos os casos, desde que o tumor seja operável.
Cirurgia: Pan-histerectomia + linfadenectomia pois a principal via de disseminação é linfática + anexectomia.
Após a cirurgia avalia-se a necessidade de terapia adjuvante, pela classificação de baixo risco, riso intermediário e alto risco.
Terapia Adjuvante: Radioterapia ou Quimioterapia.

domingo, 11 de setembro de 2011

Mioma uterino

Alta frequência, diversidade, e apresenta impacto sobre a função reprodutiva.

- São tumores benignos formados por fibras musculares lisas do útero com estroma de tecido conjuntivo
-Correspondem a 95% dos tumores benignos do trato genital superior

São fatores de risco: 

  • História familiar
  • Menarca precoce (<10 anos)
  • Nulíparas
  • Idade reprodutiva (20-50 anos)
  • Raça negra
  • Tabagismo
  • Dieta rica em carne vermelha
  • Obesidade
  • Alcolismo
  • HAS
A etiopatogenia envolve níveis circulantes de estrogênio (principal fator do crescimento tumoral /estradiol), ação sinérgica do GH com o estrogênio, níveis circulantes de progesterona, influência genética, entre outros.

São tumores nodulares, que podem ser únicos ou múltipos, pequenos ou gigantes. São circuscritos, bem delimitados e pseudocapsulados. E podem ser pediculados ou sésseis.
- Quando há predomínio de tecido conjuntivo o tumor se apresenta mais endurecido e esbranquiçado.
- Quando há predomíno de tecido muscular o tumor se apresenta com consistência mais amolecida e de coloração rósea.

Classificação envolve dois fatores
  1. Porção uterina onde se encontra: Colo uterino, istmo, ou corpo uterino
  2. Posição relativa às camadas uterinas: subseroso (é o que menos provoca sintoma), intramural (hemorragia intrauterina) ou submucoso (hemorragia mais intensa)
Manifestações clínicas
Menos de 50% dos pacientes são sintomáticos
- Sangramento anormal (o mais associado é o mioma submucoso)
- Dor pélvica e dismenorréia ( devido isquemia e compressão de estruturas contíguas)
- Aumento do volume abdominal (miomas volumosos)
- Compressão genitourinária
- Corrimento vaginal
- Distúrbios intestinais

Diagnóstico
Clínico > anamnese + exame físico (toque bimanual)
Exames complementares:
- USG transvaginal ou transabdominal- é o mais acessível e importante
- Histeroscopia - é importante na avaliação do sangramento anormal, e permite indentificar nódulos submucosos ou intramurais. E é úlil no diagnóstico diferencial
- Histerossalpingografia - avaliação da permeabilidade tubária
- Videolaparoscopia - indicado nos casos de infertilidade ou outras afecções ginecológicas
- TC - pode ser útil no planejamento do tratamento e na suspeita de malignidade
- RNM - é o melhor exame para visualização e mensuração dos leiomiomas, mas apresenta alto custo. Sempre indicado quando se cogita tratamento conservador.

Diagnóstico diferencial: Pólipos endometriais, adenomiose, malformação uterina, neoplasia, entre outros.

Tratamento
> Nos casos assintomáticos não é necessário tratamento = Conduta expectante, exames clínicos periódicos + USG 3/3 ou 6/6 meses. E também esta indicada em pacientes pouco sintomáticas na perimenopausa, pois na menopausa há queda dos níveis de estrogênio e ocorre redução do tumor.
> Tratamento clínico tem como objetivo aliviar os sintomas, evitar complicações e permitir a conservação uterina.
  • Análogos do GnRH são as drogas mais eficazes! Via intramuscular, subcutânea ou nasal. A longo prazo provoca dessensibilização dos receptores hipófisários, reduzindo a produção de gonadotrofinas e dos hormônios ovarianos - estado hipoestrogênico que permite a redução do tumor.
  • Danazol e Gastrinona - derivados da 19 nortestosterona
  • Inibidores da aromatase
  • Anticoncepcionais orais 
  • Progestágenos (minipílulas, DIU e injetável)
  • AINES
Tratamento cirúrgico
Definitivo: Histerectomia - é a preferida pois elimina a chance de recorrência dos sintomas provocados pelo mioma. É uma alternativa para casos muito sintomáticos não responsivos a outras terapias, miomas volumosos e quando não há interesse de preservação uterina.
Alternativos:
-Miomectomia  - é uma opção para mulheres que ainda desejam gestar ou não querem retirar o útero, mas apresenta risco de novos miomas. Pode ser realizada por laparotomia, laparoscopia e por via vaginal/histeroscopia
-Ablação endometrial - destruição do endométrio através de laser, balões térmicos, fluidos quentes, etc.
- Miólise - coagulação térmica videolaparoscópica ou crioablação do tecido miomatoso.

Sífilis

Úlceras Genitais
Sífilis, Cancro mole, Linfogranuloma venéreo, Herpes genital e Donovanose.
O diagnóstico entre essas é realizado através das diferenciações entre o número de úlceras, o aspectos dessas, a presença ou não de dor na úlcera, presença ou não de linfadenopatia, e presença de fistulização.

Sífilis (Lues, mal venéreo, mal gálico, sifilose ou lues venérea)
É definida como uma infecção sistêmica crônica, e na maior parte dos casos é transmitida sexualmente. Sua evolução envolve períodos sintomáticos, quando a doença está ativa, e períodos de latência.
Agente etiológico: Treponema pallidum. Este agente cresce em locais úmidos, principalmente na boca e regiões genitoanais.

Classificação
Recente – até um ano após a infecção e divide-se em primária, secundária e latente recente.
Tardia – com mais de um ano de evolução e divide-se em latente tardia e terciária.

Sífilis primária (cancro duro) se define por lesão ulcerada, pouco dolorosa ou indolor, com bordas endurecidas, fundo liso, brilhante e secreção serosa escassa, que persiste por 4 semanas e costuma resolver-se espontaneamente.
- Adenopatia regional unilateral, móvel, indolor e múltipla costuma aparecer 7 a 10 dias após o aparecimento da lesão primária.

Sífilis secundária é definida por lesões cutaneomucosas não ulceradas, simétricas, roséolas, pápulas eritematosas/acastanhadas, alopecia, madarose, placas mucosas e lesões pápulo-hipertróficas/condiloma plano.
Estas lesões aparecem de 4 a 8 semanas após o desaparecimento do cancro duro. E pode estar acompanhada de linfadenopatia generalizada, artralgia, febrícula, cefaléia, adinamia...
Desaparecem em 2 a 6 semanas e a infecção entra em fase latente.

Fase latente (recente e tardia) ocorre sem sinais e sintomas (ASSINTOMÁTICA), e pode durar de 3 a 20 anos. Alguns pacientes permanecem nessa fase pra sempre e sem complicações, e caso isso não aconteça, progridem para a sífilis terciária.

Sífilis terciária apresenta-se com tubérculos (gomas), tabes dorsalis (lenta degeneração de neurônios que carregam informações sensoriais para o cérebro), aneurisma aórtico e artropatia de Charcot.

Diagnóstico
Pode ser feito de 3 formas:
  • Pesquisa direta (campo escuro) de material colhido da lesão ulcerada (sífilis primária), condiloma plano e placas mucosas (s. secundária) ou punção de linfonodos acometidos. Este é o padrão ouro!
  • VDRL e RPR (sorologia não treponêmica – é reativo a partir da segunda semana após o surgimento do cancro duro).
    VDRL sugestivo:
    - títulos > 1:4
    - aumento dos níveis em 4 vezes – sorologias seqüenciais
    - positivação dos títulos em pc com sorologia prévia negativa
  • FTA-Abs (o mais utilizado), MHA-TP, TPI, TPHA (sorologia treponêmica) – esses testes confirmam o contacto com o treponema. Este exame é o primeiro a positivar.

Consequências da sífilis na gravidez
- Crescimento intrauterino restrito
- Óbito fetal
- Óbito neonatal
- Parto prematuro
- Anomalias congênitas
Quanto mais recente a infecção, maiores são as taxas de transmissão vertical da sífilis.
Para diagnóstico a sorologia não treponêmica é recomendada (VDRL).

Tratamento
Baseado na Penicilina G Benzatina 2.400.000 UI IM profunda
- Para sífilis primária a dose é única. Alternativas: Eritromicina, Doxiciclina ou Tetraciclina.
- Para sífilis secundária e latente recente são realizadas duas doses com intervalo de 1 semana. As alternativas são as mesmas de sífilis primária.
- Para latente tardia e terciária são três doses com intervalo de uma semana. Alternativa: Doxiciclina, Eritromicina e Tetraciclina.
- Para gestantes também é usada a penicilina G benzatina e as doses são de acordo com a fase da doença.
Obs: Tratar o parceiro!

Controle da Cura
Na sífilis primária ou secundária os títulos de VDRL caem ao longo de um ou dois anos, negativando-se em cerca de um ano para sífilis primária tratada e dois anos para a secundária. O seguimento deve ser realizado com sorologias de 3/3 meses no primeiro ano. Em gestantes a sorologia deve ser mensal.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Candidíase Vulvovaginal

É a segunda causa mais comum de corrimento vaginal (vulvovaginite), e consiste em uma infecção da vulva e vagina causada por um fungo que habita a mucosa vaginal e digestiva, e cresce quando o meio se torna favorável para seu desenvolvimento. É capaz de se proliferar em ambiente ácido, independente da ação dos lactobacilos.
Os casos de candidíase são atribuídos principalmente à Candida albicans.
Este fungo faz parte da flora endógena em até 50% das mulheres assintomáticas, e a relação sexual não é principal forma de transmissão (não sendo considerada doença sexualmente transmissível por alguns autores).
São fatores de risco:
  • Gravidez
  • Diabetes Mellitus (desconpensado)
  • Obesidade
  • Uso de contraceptivos orais em altas dosagens
  • Uso de antibióticos, corticóides ou imunossupressores
  • Hábitos de higiene e vestuários inadequados (reduzem a ventilação e aumentam a umidade e o calor local)
  • Contato com substâncias irritantes (talco, perfume, desodorante)
  • Alterações na resposta imunológica (HIV)

O quadro clínico depende do grau de infecção e da localização do tecido inflamado. Seu início é súbito e tendem a exacerbação uma semana antes do período menstrual (acidez vaginal é máxima). São alguns:
  • Prurido vulvovaginal, que é o PRINCIPAL sintoma
  • Queimação vulvovaginal
  • Disúria
  • Dispareunia
  • Corrimento branco com aspecto “leite coalhado”
  • Hiperemia e edema vulvar
  • Escoriações de coçadura
  • Fissuras
  • Vagina e colo recobertos por placas brancas, aderidas à mucosa
Obs: O parceiro sexual pode se quixar de irritação e hiperemis do pênis ou balanopostite (inflamação da glande e do prepúcio)

A candidíase pode ser classificada em doença complicada e doença não complicada.

Variáveis
Dç. não complicada
Dç. complicada
Sintomas ou
severidade
Suave ou moderada
Graves
Freqüência
Esporádica
Recorrente (>4
episódios/ano
Organismo
Candida albicans
    Espécies não-albicans
Hospedeiro
Normal
Anormal (DM desonpen-
sada, infecções recorrentes,
gravidez, imunossupressão)

Diagnóstico
Quadro clínido sugestivo + exame a fresco (exame microscópico com hidróxido de potássio a 10% e coloração pelo Gram revela pseudo-hifas)
No caso de recorrência a cultura pode ser útil para pesquisa de espécies não-albincans.
-Infecção: fungo na forma de pseudo-hifas.
-Portadora assintomática: fungo na forma de levedura.

Tratamento
Recomenda-se a escolha do esquema mais curto para melhor adesão ao tratamento.
São usadas drogas antifúngicas e drogas azólicas (creme vaginal), e quando associados com corticóides, promovem rápido alívio dos sintomas vulvares.
Creme vainal: Butoconazol, Clotrimazol, Miconazol, Nistatina.
Medicação oral: Fluconazol, Itraconazol, Cetoconazol.

- O tratamento do parceiro não é recomendado de forma rotineira, sendo indicado em casos de balanopostite, e de candidíase vulvovaginal recorrente.
- O tratamento da candidíase recorrente é realizado através do creme vaginal que deve ser mantido por 10 a 14 dias, ou através do tratamento oral que é preferido em casos de recorrência, sendo o Fluconazol oral a droga de escolha.
- A candidíase grave caracteriza-se por eritema e edema vulvares extensos e pela presença de escoriações e fissuras. A conduta nestes casos é a associação entre devirados azólicos por 7-14dias e o fluconazol 150mg VO em doses seqüenciais (segunda dose 72hrs após dose inicial)
- Em casos de gravidez, os derivados azólicos de uso tópico estão indicados (7 dias).


domingo, 4 de setembro de 2011

AINES - antiinflamatórios não esteroidais

        Inflamação
      . O  processo inflamatório é a resposta a um estímulo nocivo, que inclui dor, calor, tumor e rubor. A resposta inflamatória ocorre em 3 fases distintas:
 1) fase aguda- vasodilatação local transitória e aumento da permeabilidade capilar
 2) fase retardada e subaguda- caracterizada por infiltração de leucócitos e células  fagocitárias
3) fase proliferativa crônica- ocorre degeneração tissular e fibrose.
. Varias citocinas desempenham papeis essenciais no processo inflamatório, em especial IL-1 e . TNF. As citocinas induzem a expressão de genes e a síntese de proteínas em uma variedade de células, para mediar e promover a inflamação.
. A histamina, bradicinina e serotonina têm também papel na mediação da inflamação.
. A administração de prostaglandina E2 (PGE2) ou de prostaciclina (PGI2) causa eritema e aumento do fluxo sanguíneo local.

         AINES
Todos eles são antiinflamatórios, analgésicos e antipiréticos.


Mecanismos de ação e efeitos terapêuticos
. Sabe-se que as prostaglandinas são liberadas sempre que há lesão celular e que o ácido acetilsalicílico e os AINES inibiam sua biossíntese em todos os tipos celulares.
. Sabe-se que em concentrações mais altas os AINES reduzem a produção de peróxido, induzem a apoptose, inibem a expressão de moléculas de adesão, reduzem a síntese de óxido nítrico, diminuem as citocinas pró-inflamtórias, modificam a atividade dos linfócitos e alteram as funções das membranas nucleares.
. Os principais efeitos terapêuticos do AINES deriva da sua capacidade de inibir a produção de prostaglandinas. A primeira enzima na via sintética de prostaglandinas é a sintase de prontaglandinas G/H, também conhecida como ciclooxigenase ou COX, que converte ácido aracdônico nos intermediários instáveis PGG2 e PGH2, além de promover a produção de tromboxano A2 de uma variedade de prostaglandinas.
. Há duas formas de ciclooxigenase: COX1 e COX2. A COX1 é a principal isoforma constitutiva, encontrada na maioria das células e tecidos normais, ao passo que as citocinas e os mediadores inflamatórios que acompanham a inflamação induzem a síntese de COX2 (isoforma induzida). Mas a COX2 também é expressa na forma constitutiva em certas áreas dos rins e do cérebro.
. A COX1  é expressa como a forma constitutiva dominante nas células epiteliais gástricas e constitui a maior fonte da formação de prostaglandinas citoprotetoras. A inibição da COX1 neste local é tida, em grande parte, como a responsável pelos eventos adversos que complicam o tratamento com AINE.
. O ácido acetilsalicílico e os AINES não inibem a via das lipooxigenases no metabolismo do AA e por isso não suprimem a formação de LT.
. O AAS modifica de forma covalente a COX1 e a COX2, inibindo irreversivelmente sua atividade de ciclooxigenase, sendo assim a duração do seu efeito relaciona-se com a taxa de rotatividade das ciclooxigenases em diferentes tecidos alvos. A duração dos efeitos dos outros AINE que não o AAS, que inibem de modo competitivo os locais ativos das enzimas COX, relacionam-se mais diretamente com o curso temporal da eliminação do fármaco.
. As COPX configuram-se de tal modo que o local ativo é alcançado pelo substrato AA através de um canal hidrofóbico. O AAS acetila a série da COX1, sendo a interposição de um volumoso resíduo acetilado impede a ligação do AA commo local ativo da enzima, impedindo assim que ela elabore prontaglandinas.
. A maioria dos AINE são ácidos inorgânicos, são altamente absorvidos por via oral , ao altamente ligados a pnts plamáticas e excretados por filtração glomerular ou secreção tubular. A maioria tem pouca seletividade e inibe igualmente a COX1 e a COX2, embora alguns exibam seletividade para COX2 (diclofenaco, meloxicam, nimesulida).

DOR: os AINE costumam ser classificados como analgésicos suaves e são particularmente eficazes quando a inflamação causou sensibilização dos receptores de dor e estímulos mecânicos e químicos que normalmente são indolores. A bradicina e as citocinas parecem ser importantes para evocar dor e inflamação, esses agentes provocam liberação de prostaglandinas e outros mediadores que promovem a hiperalgesia.

FEBRE: a regulação da temperatura corporal requer um equilíbrio delicado entre a produção e a perda de calor; o hipotálamo regula o ponto de configuração no qual a temperatura corpora é mantida. Esse ponto de configuração esta elevado na febre, e os AINE promovem seu retorno ao normal. Pois as citocinas inflamatórias aumentas a síntese de prostaglandinas (PGE2) o que aumenta o AMPc e faz com que o hipotálamo eleve a temperatura corporal. O AAS e os AINE suprimem essa resposta inibindo a síntese de PGE2.

 * Mecanismos adicionais: - inibição da quimiotaxia dos leucócitos
                                         - inibição de radicais livres
                                         - antagonismo da bradicinina (diminui a dor)
                                         - inibição da ativação de neutrófilos
                                         - inibição da atividade da PLC, diminuindo a fosfolipase A2 e as concentrações de ácido aracdônico.
                                         - inibição da liberação de citocinas.

EFEITOS TERAPÊUTICOS:
. Todos os AINES, incluindo os inibidores seletivos de COX1, são antipiréticos, analgésicos e antiinflamatórios, com exceção do paracetamol que tem pouca atividade antiinflamatória.
. Quando impregados como analgésicos, os fármacos costumam ser eficazes apenas contra dores de baixa a moderada intensidade, como dor de dentes. A dor pós-operatória crônica ou aquela que surge da inflamação é controlada particularmente bem pelo AINE, ao passo que a que surge de uma víscera oca em geral não é aliviada. Com exceção da dor menstrual, em que a liberação de prostaglandinas pelo endométrio durante a menstruação pode causar cólicas graves e outros sintomas de dismenorréia; o uso de AINE para essa condição obteve sucesso.
. Devido a associação a síndrome de Reye, o AAS e outros salicilatos são contra indicados em crianças e adultos jovens com menos de 20 asnos de idade com febres associadas a doenças virais. . O paracetamol não foi implicado na síndrome e é o fármaco de escolha para a antipirese desses pacientes.
. Os AINES têm sua principal aplicação clínica como antiinflamatórios no tratamento de distúrbios musculoesqueléticos como artrite reumatóide e osteoartrite, mas eles fornecem apenas alívio sintomático da dor e inflamação associadas á doença.
. Alguns AINE estão aprovados para o tratamento na espongilite ancilosante da gota. Seu uso para tratar artropatias leves, juntamente com repouso e fisioterapia, em geral é eficaz.
. Outras indicações são para dor oncológica (associação com opióides), antiplaquetário (AAS em baixas doses pois é seletivo para COX2), prevenção do câncer de colo (utiliza-se COX2 seletivo) e doença de Alzheimer.
Resumindo:
- antiinflamatório (exceto paracetamol e dipirona)
- analgésico (dor leve e moderada)
- antipirético
- artrite reumatóide e osteoartrite
- dor musculoesquelética (só interfere na dor, não interfere na progressão da doença)
- hérnia de disco
-dismenorréia
- dor pós-operatória
- dor pós-trauma
- dor oncológica (associação com opióides)
- antiplaquetário (AAS em baixas doses, pois é seletivo para COX1)
- prevenção de câncer de colo (COX2 seletivos)
- doença de alzheimer (sugestão de uso, não é definido)

EFEITOS ADVERSOS:
Gastrointestinais
. Os sintomas mais comuns são: anorexia, náuseas, dispepsia, dor abdominal e diarréia, podendo estar relacionada com a indução de úlceras gástricas e intestinais. O risco é ainda maior com os indivíduos infectados com H. pylori, quando há consumo excessivo de álcool ou na presença de outros fatores de risco como o uso de glicocorticóides concomitantemente. Inibidores seletivos da COX-2 associam-se a uma incidência menor de efeitos adversos gastrointestinais. A inibição da COX-1 nas células epiteliais gástricas reduz a produção de prostaglandinas citoprotetoras da mucosa, especialmente PGI2 e PGE2, que inibem a secreção de ácido pelo estômago intensificando o fluxo sanguíneo da mucosa e promovendo a secreção de muco citoprotetor no intestino. Há alguma evidência que a COX-2 também contribui para formação constitutiva dessas prostaglandinas no epitélio gástrico.

Cardiovasculares
Em alguns indivíduos pode haver inibição da função plaquetária (exceto de AAS).
...

Pressão arterial e eventos renais
. Os AINE associam-se com o interrompimento da inibição induzida por prostaglandinas na reabsorção de cloreto e na ação do hormônio antidiurético, ocasionando retenção de água e sal. Há a possibilidade de complicações hipertensivas correlacionadas com o grau de inibição da COX-2 no rim e com a seletividade com que essa inibição é obtida.

Gravidez
. Nas horas que antecedem o trabalho de parto há indução da expressão de COX-2 do endométrio e os níveis de prostaglandinas E2 e F2alfa no miométrio aumento consideravelmente no trabalho de parto para aumentar as contrações. Assim o uso de AINE prolonga o trabalho de parto.

Hipersensibilidade
. Alguns indivíduos têm hipersensibilidades ao AAS e aos AINE, manifestada por sintomas que variam desde rinite vasomotora com profusas secreções aquosas, angiodema, urticária generalizada, asma brônquica até edema de laringe, broncoconstricção, rubor, hipotensão e choque. Essa hipersensibilidade esta associada a um aumento da biossíntese de LT, refletindo o desvio de AA para a via das lipooxigenases.

Hepatotoxidade
. Os AINE podem causar lesão hepática após vários meses de tratamento, ocorrendo na maioria dos casos em pacientes com distúrbio do tecido conjuntivo. Em geral não há sintomas, apenas o aumento dos níveis séricos das transaminases hepáticas. A lesão costuma ser reversível quando interrompido o tratamento.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

. O uso concomitante de AINE e AAS em baixas doses pode aumentar significativamente a probabilidade de eventos adversos gastrointestinais.
. Os AINES podem atenuar a eficácia de anti-hipertensivos como os inibidores da ECA ao bloquear a produção de prostaglandinas vasodilatadoras e natriuréticas. Essa combinação, devido à hiperpotassemia, também pode causar bradicardia notável, que resulta em síncope especialmente em pacientes mais idosos e com hipertensão, diabetes melito e doença cardíaca isquêmica.
. Os AINES podem aumentar a freqüência e a gravidade de eventos gastrointestinais quando associados com corticoesteróides.
. O uso concomitante com anticoagulantes pode aumentar o risco de sangramento, pois quase todos os AINES suprimem a função plaquetária normal.
. Também deve-se evitar uso de paracetamol em pacientes que fazem uso crônico de álcool.

CARACTERÍSTICAS FARMACOCINÉTICAS
. Boa absorção oral
. Alta ligação a ptns plasmáticas (interações medicamentosas e efeitos tóxicos).
. Encontrados no fluido sinovial após doses repetidas (doenças reumatológicas).
. Metabolização hepática (CYP3A e CYP2C)
. Excreção na urina, bile e fezes.

AINES não seletivos

- Salicilatos, Paracetamol, Indometacina, Tolmetina, Cetorolaco, Diclofenaco, Ibuprofeno, Fenoprofeno, Oxaprozina, Cetoprofeno, Piroxicam, Nabumetona, Dipirona.

Aspirina (salicilato)
. A ação da aspirina é pré-sistêmica. Devido à acetilação irreversível da ciclooxigenase 1 plaquetária e a conseqüente redução da formação de TXA2, o tempo de efeito deste fármaco é a duração de vidas das plaquetas, 8 a 10 dias.  
. (em baixas doses faz bloqueio da COX1).
. Devido à associação à síndrome de Reye a aspirina e outros salicilatos são contra indicados em crianças e adultos jovens com menos de 20 anos de idade com febres associadas a doença viral. A síndrome de Reye caracteriza-se por inicio agudo de encefalopatia, disfunção hepática e infiltração gordurosa do fígado e de outras vísceras. Em crianças e adolescentes é indicado o uso de paracetamol em casos de infecções virais. A síndrome de Reye é uma complicação potencialmente mortal que afeta mais habitualmente as crianças durante as epidemias de gripe pelo vírus influenza B, particularmente se receberem aspirina ou algum fármaco que contenha aspirina.

Paracetamol
. O paracetamol é uma alternativa eficaz ao AAS como analgésico antipirético, principalmente em crianças com infecções virais, pois a administração de AAS pode causar síndrome de Reye (disfunção hepática e infiltração gordurosa no fígado e em outras víceras, encefalopatias).
. Entretanto, ele possui efeitos antiinflamatórios fracos, e possui em geral pequena capacidade de inibir a COX na presença de altas concentrações de peróxidos, como se observa nos locais de inflamação.
. A inibição da COX pelo paracetamol pode ocorrer  de forma proporcionalmente mais alta no cérebro e na medula, o que explica sua atividade antipirética e analgésica.
. Parece inibir a COX3, uma variante de remontagem da COX1.
. Em doses terapêuticas únicas ou repetidas não tem efeitos sobre os sistemas cardiovascular e respiratório, as plaquetas ou a coagulação.
. O paracetamol é metabolizado por conjugação hepática com ácido glicurônico, ácido sulfúrico e a cisteína, e geralmente no primeiro dia eliminados pela urina. Uma pequena porção sofre N-hidroxilação (oxidação) pelo citocromo P450, formando N-acetil-p-benzoquinoneimina (NAPQI), um intermediário altamente reativo (hepatotóxico) e metabólito que normalmente reage com glutation, tornando-se inofensivo.
. O álcool reduz as concentrações de glutation, além disso induz a ação do citocromo P450, aumentando a metabolização do paracetamol produzindo mais metabólitos.
. Em apenas 4 horas após a administração do paracetamol, já se tem altas concentrações do metabólito. Então, para que seja evitado isso se deve agir antes das 4 horas, administrando N-acetilcisteína que aumenta a concentração de glutation.
. Após a ingestão de altas doses de paracetamol, o metabólito NAPQI é formado em quantidades suficientes para provocar depleção do glutation hepático, contribuindo para os efeitos tóxicos da overdose. O metabólito, que é altamente reativo, se liga de forma covalente a macromoléculas celulares, acarretando disfunção dos sistemas enzimáticos e desarranjo estrutural e metabólico. Além disso, a depleção de glutation torna o hepatócito altamente suscetível ao estresse oxidativo e à apoptose, podendo levar à uma necrose hepática potencialmente fatal

Dipirona
. Efeitos analgésicos e antipiréticos, e não produz efeitos antiinflamatórios.
. Parece fazer inibição da COX3.

AINE seletivos para ciclooxigenase 2

. Objetivo: redução dos efeitos colaterais dos AINE não seletivos (principalmente os efeitos gastrointestinais).
. Problema: formação de trombos e acometimento cardiovascular.
Exemplos:
- Meloxicam
- Etodolaco (não são totalmente seletivos, apresentam pequena ação em COX1)
-Nimessulida
- Calecoxib, Parecoxibe, Etoricoxibe
- Lumiracoxibe
- Valdecoxibe
- Deracoxibe (não são mais utilizados devido a seus efeitos adversos cv.)
- Rofecoxibe


. Colecoxib em pacientes com doenças tromboembólicas
Sendo um fármaco extremamente seletivo por COX2, o colecoxib permite a ação aumentada da COX1 sobre o ácido araquidônico, formando tromboxano A2, resultando em formação de trombos pela agregação plaquetária.
Além disso, em situações normais, quando ocorre o fluxo sanguíneo turbulento em pacientes idosos, o endotélio desses vasos naturalmente estimula a COX2, para formar mais prostaciclina que tromboxano, impedindo a formação do trombo. O uso de colecoxib impede esse mecanismo, e permite que as plaquetas se agreguem.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Distopia Genital

Distopia Genital ou Prolapso dos órgãos pélvicos, corresponde a um ou mais órgãos pélvicos que se encontram fora do seu lugar habitual.

São fatores envolvidos na topografia normal:
·   Fator endócrino – estrogênio (para distopia ocorre a falta deste hormônio, como na menopausa)
·   Fator dinâmico – envolve aumento da pressão intra-abdominal; como constipação, micção, evacuação, partos naturais, tosse, obesidade, posições que favoreçam o aumento da PIA, DPOC, entre outras.
·    Fator Anatômico – a manutenção da estática dos órgãos pélvicos é feita por dois aparelhos anatômicos: o aparelho de suspensão e o de sustentação. 
     Suspensão localiza-se entre o assoalho pélvico e o peritônio parietal, formado por tecido conjuntivo elástico e musculatura lisa que se distribui ao redor do colo uterino e parte superior da vagina através dos ligamentos pubovesicuterinos, ligamentos cardinais/paracervical e ligamentos uterossacros.
     E o de sustentação é constituído pelo assoalho pélvico, sendo composto pelo diafragma pélvico (músculo elevador do ânus e músculo isquiococcígeo), diafragma urogenital (músculo tranverso profundo do períneo, músculos esfícter-anal, isquiocavernosos, bulbocavernosos e transversos superficiais do períneo) e fáscia endopélvica (que liga os órgãos pélvicos às paredes pélvicas; e outro folheto que recobre o útero, vagina, bexiga e reto formando as fáscias vesicovaginal e retovaginal).

Fisiopatologia
O prolapso genital é conseqüência de um rompimento do equilíbrio da estática pélvica, podendo ser provocado por alterações congênitas que acarretam enfraquecimento dos aparelhos de suspensão e sustentação, ou por um aumento crônico da pressão intra-abdominal (PIA).
A etiologia mais comum é a multiparidade, envolvendo 70% dos casos.
Outros fatores são: defeitos qualitativos do colágeno, alterações neurológicas, rotura perineal, enfraquecimento dos ligamentos cardinais, retroversão e medioversão uterinas (provocam aumento da pressão intra-abdominal).

         Fator endócrino                                                          Fator dinâmico
                    |                                                                                     |
                    |____________Fator anatômico_________________|
                                                        |
                                                        |
                                           Distopia/Prolapso

Prolapso vaginal anterior
Envolve a descida da parede vaginal anterior, e é conhecida como uterocele e/ou cistocele.
A cistocele pode ser classificada em central, lateral ou mista.
> A lateral é causada por desinserção lateral da fáscia pubovesicocervical.
> A central ou de distensão resulta do estiramento da parede vaginal anterior, levando à formação de defeito central na fáscia pubocervical.

Tratamento
·  Mulheres com prolapso vaginal anterior assintomáticas não necessitam de tratamento.
·  Mulheres sintomáticas sem resíduo pós-miccional com alto risco cirúrgico pode ser indicado a utilização de pressários vaginais.
·  A cirurgia é indicada para todos os tipos de cistocele – colporrafia anterior (abertura da parede vaginal anterior e plicatura da fáscia pubovesicocervical na linha média). Mas no caso de defeito para vaginal a conduta ideal é a reinserção da fáscia pubovesicocervical ao arco tendíneo da fáscia pélvica.
·  É sempre recomendável o estudo urodinâmico antes da cirurgia.

Prolapso uterino
Este ocorre pelo enfraquecimento ou por lesão dos ligamentos cardinais e uterossacros; e consiste no deslocamento do útero, que em casos mais avançados pode exteriorizar-se através da fenda vaginal.
Pode ser acompanhado de prolapsos das paredes vaginais anteriores/posteriores, rotura perineal, e alongamento hipertrófico do colo. Este último é diferenciado do prolapso através da cervicometria (passagem do histerômetro no orifício interno).
Exame físico:
·    Inspeção dinâmica com manobra de Valsalva ou pinçamento do colo uterino com pinça de Pozzi/Museux.
Tratamento:
> O prolapso assintomático não necessita de tratamento
> Quando sintomático o tratamento pode ser conservador ou cirúrgico.
Conservador inclui exercícios da musculatura pélvica e pessários (para casos de alto risco cirúrgico).
Cirúrgico pode ser realizado através da retirada parcial do colo uterino e uma cervicofixação anterior dos ligamentos cardinais, em pacientes que desejam fertilidade futura, pacientes com alongamento hipertrófico do colo e pacientes com risco cirúrgico mais elevado.
E o tratamento cirúrgico também pode ser a histerectomia vaginal associada a correção das lesões presentes, em estágios mais avançados. Medidas profiláticas em relação ao prolapso da cúpula vaginal são recomendadas.
> E pacientes idosas, com risco cirúrgico e sem vida sexual ativa podem ser submetidas à obliteração da vagina.

Prolapso de cúpula vaginal
Este ocorre por lesões das estruturas de suporte durante histerectomia ou outras cirurgias pélvicas, ou adelgaçamento dessas estruturas.
Tratamento envolve a fixação da cúpula vaginal ao promotório do sacro, na aponeurose do músculo retoabdominal ou ao ligamento sacroespinhoso e a obliteração vaginal (colpocleise – Cirurgia de LeFort) em muheres que não desejam mais manter vida sexual.

Enterocele
Ocorre quando o intestino delgado se insinua pela cúpula vaginal devido um defeito na fáscia retovaginal, colocando o peritônio em contato direto com a vagina.
Geralmente está associada à retocele alta pelo enfraquecimento da parede vaginal posterior e superior, e maior parte das enteroceles occore após histerectomias.
Diagnóstico é feito através do toque combinado (toque retal + toque vaginal), pede-se à paciente que realize a manobra de Valsalva. Caso o médico sinta a alça intestinal de encontro ao seu dedo, conclui-se que se trata de enterocele.
Tratamento é cirúrgico.

Prolapso de parede vaginal posterior
A manifestação clínica é a retocele, que ocorre em resultado do enfraquecimento da fáscia retovaginal e dos seus pontos de fixação às margens dos músculos elevadores do ânus.
Tratamento consiste na colporrafia porterior com plicatura da fáscia retovaginal, podendo também utilizar tela de propileno para reforçar a parede. A correção da rotura perineal e a reconstituição do corpo perineal também devem ser efetuadas.

Os sintomas são comuns à todos os tipos de prolapso.
O mais comum é a sensação de peso ou desconforto na região da genitália externa, que se agrava em posição ortostática por tempo prolongado. E o sinal mais comum é a exteriorização de uma “bola” na vagina. Pode ocorrer também sangramento pelo atrito com roupa íntima, dispaurenia, disfunção sexual. Casos de incontinência urinária ou polaciúria são resultantes de uma hipermotilidade uretral e se associam com a perda da sustentação vaginal anterior.

O diagnóstico das distopias genitais é clínico. A USG pode ser usada em casos de suspeita de alguma patologia que esteja provocando o prolapso, como tumores.
Outros tratamentos: esletroestimulação, TRH (terapia de reposição hormonal), fisioterapia, exercícios físicos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Endometriose

É definida pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) em localização extra-uterina. Este tecido também responde às alterações hormonais que ocorrem durante o ciclo menstrual, e acaba resultando em inflamação e dismenorréia, dor e infertilidade.

Sítios mais comuns: ovários, fundo do saco de Douglas/posterior, fundo do saco anterior, ligamento largo, ligamentos uterossacros, trompas, cólon sigmóide, apêndice.
Menos comuns: vagina, cérvice, septo vaginal, ceco, íleo, canal inguinal, cicatrizes, bexiga, umbigo.
E o tecido endometrial se apresenta sob forma de implantes peritoneais e profundos, aderências e cistos ovarianos.

> Apresenta maior incidência na menacne, sendo a idade média de diagnóstico entre 25-30 anos.
> Fatores de risco: História Familiar, gestação tardia, menarca precoce, ciclo menstrual curto, malformações uterinas, fluxo aumentado, IMC (índice de massa corporal) muito reduzido, consumo exagerado de café e álcool.
> A etiologia da endometriose ainda não é definida. Existem apenas teorias sobre sua etiologia:

  1.  Menstruação retrógrada - a regurgitação através das trompas durante a menstruação acarreta a disseminação de células endometriais na cavidade perinoteal. É fisiológico, e ocorre em mais de 90% das mulheres, mas algumas desenvolvem a doença e outras não.
  2. Teoria imunológica - alteração na imunidade, que então não age sobre as células endometriais impedindo proliferação do endométrio ectópico.
  3. Metaplasia celômica - capacidade do epitélio peritoneal de originar outros tipos de tecidos como endométrio, miométrio, tuba uterina e endocérvice.
  4. Teoria iatrogênica - endometriose a partir de cicatrizes após procedimentos ginecológicos.
  5. Disseminação linfática - explica a disseminação de células endometriais para sítios distantes da pelve.
Patologia Macroscópica
Lesões atípicas: vesículas, defeitos peritoneais e finas aderências (véu de noive) no hilo ovariano ou no fundo de saco de Douglas.
Lesões típicas variam de acordo com evolução e idade. E a evolução ocorre em um período de 7 a 10 anos.
- Vermelhas: são lesões muito ativas, e podem se apresentar como petéquias.
- Pretas: são menos ativas. Nódulos pretos (queimadura por pólvora), acastanhados (café com leita) ou azulados, ou como pequenos cistos contendo hemorragia antiga circundada por fibrose.
- Brancas: resquícios cicatriciais.

No ovário a lesão característica é o endometrioma (cisto endometrióide)- cisto com conteúdo líquido espesso e achocolatado cercado de fibrose.

Patologia Microscópica: Glândulas e estoma endometriais com ou sem macrófagos repletos de hemossiderina.

Quadro clínico: DOR E INFERTILIDADE
Dismenorréia (cólica menstrual) é a queixa mais comum. Possui carácter progressivo e geralmente começa depois de um longo tempo de menstruações indolores. A dor é difusa e intensa, podendo irradiar para a região lombar ou para as coxas.
Dipareumia (dor durante o ato sexual) caracteriza-se por início recente, maior intensidade com a penetração profunda, antecede menstruação e apresenta envolvimento do fundo de saco e do septo vaginal.
Dor pélvica crônica relaciona-se com inflamação peritoneal local, infiltração com lesão tecidual, aderências, espessamento fibroso.
Infertilidade apresenta grande relação com a endometriose, principalmente nos casos mais graves (obstrução tubária, distorção da anatomia pélvica)

* A endometriose tem relação com a malignidade (CA de ovário epitelial). Possuem prognóstico melhor que aqueles não derivados da endometriose.

* A endometriose pode ser classificada em leve, moderada e grave, de acordo com a avaliação da extensão da doença e a possibilidade de engravidar após o tratamento. E ainda existe a classificação da Sociedade Americana de Fertilidade, que pontua de acordo com localização e extensão da doença.

Diagnóstico
Os achados físicos dependem da localização e do tamanho, e devem ser avaliados preferencialmente na época da menstruação, devido maior sensibilidade.
> Achados:
  • Sensibilidade ao toque do fórnice posterior
  • Sensibilidade no fundo de saco vaginal ou nos ligamentos uterossacros
  • Nódulos palpáveis sensíveis no fundo de saco, ligamentos uterossacros ou septo retovaginal
  • Dor à mobilização uterina
  • Sensibilidade e massas anexiais que aumentam de volume no período menstrual
  • Fixação do útero ou anexos em posição retrovertida
> Videolaparoscopia (VLSC) é o padrão ouro, pois permite visualização direta dos implantes e biópsia das lesões. Deve ser realizada após três meses do tratamento hormonal.

> Imagem - USG e RNM não são muito utilizados devido a baixa resolução para detectar aderências ou implantes.
USG transvaginal é útil para endometrioma
RNM geralmente é usada em casos de dúvidas, e se há suspeita de endometriose infiltrativa (acometimento ureteral, vesical e intestinal)

> Dosagem CA 125 não é patognomônico , mas sugere e é útil no acompanhamento da doença. Os paciente apresentam esta dosagem aumentada.

Diagnóstico diferencial: DIP (doença inflamatória pélvica), síndrome do cólon irritável, cistite intersticial, adenomiose, tumores ovarianos, CA de cólon.

Tratamento
- Conduta expectante para mulheres com doença mínima e mulheres na perimenopausa. Estas mulheres podem se beneficiar de anticoncepcionais orais para retardar a progressão da doença, e em mulheres na menopausa, o implante é suprimido como resultado da ausência de hormônios.
- Anticoncepcionais orais (ACO) devem ser usados de forma contínua, por cerca de 12 meses.
- Progestágenos (oral, injetável ou DIU) promovem inibição do crescimento do tecido endometriótico, com decidualização e atrofia, e inibem a secreção de FSH e LH (gonadotrofinas) e a produção ovariana de hormônios.
- Danazol (derivado da 19-nortestosterona) inibe a secreção de GnRH e estrogênio e tem efeito direto sobre o tecido.
- Gastrinona é um agente antiprogestacional.
- Agonistas do GnRH quando administrados de forma contínua dessensibiliza receptores hipofisários, diminuindo a liberação das gonadotrofinas.
- Inibidores da aromatase, inibem a ação da enzima em converter androgênios em estrogênios.

Cirurgia está indicada quando:
  • Os sintomas são severos, incapacitantes ou agudos
  • Não apresentam melhora ou pioram com o tratamento conservador
  • Doença avançada
  • Distorção da anatomia, cistos endometrióticos
  • Obstrução intestinal ou do trato urinário
Cauteriza-se os implantes e realiza-se a lise das aderências para evitar a progressão da doença.
Objetivos: restaurar a anatomia pélvica, aliviar a dor, e aumentar a possibilidade de gravidez (quando a doença for severa pensar na possibilidade de fertilização in vitro)
A cirurgia é definitiva (histerectomia, ooferectomia...) quando a doença é significativa e o futuro reprodutivo não é desejado, no caso de persistência dos sintomas após cirurgia conservadora ou tratamento clínico.